Um Portal Para Outros Mundos
Tenho grande alegria e honra sem medida de estar de
volta à esta escola. Alegria por
reencontrar-me com quem eu fui enquanto aqui trabalhei. Reencontrar-me com funcionários e colegas de
trabalho e avivar a memória ao lembrar-me daqueles que por aqui passaram
aprendendo, ensinando, recebendo ou doando-se, estendendo a mão na caminhada árdua
por esta estrada que chamamos de Educação.
Minha alegria é acompanhada da honra por este
convite, por este presente pelo qual não tenho palavras suficientes para
agradecer. Rúben Alves disse que todos nós devíamos plantar árvores, mesmo que
das suas sombras ou de seus frutos nunca experimentemos. Mas
hoje tenho este privilégio de vir aqui, inaugurar esta Biblioteca tão linda e
saborear este fruto semeado há tantos anos atrás.
Perco-me em meus pensamentos a
imaginar os alunos que por aqui vão
passar, ler, descobrir, desabrochar, reinventar-se, viajar. Sim, viajar, pois,
como disse João Paulo Diniz da Silva, os livros são como passaportes para fora
da nossa realidade.
Aos alunos, desafio-os: descubram
novos mundos, novos talentos, novas fragrâncias e novos sabores. Saboreiem cada página como quem
come sua sobremesa predileta. Façam a magia acontecer à partir daqui até extrapolar
pelo mundo afora. “Só quem conhece a magia da leitura pode dizer que sabe
realmente ler, porque falar que sabe ler apenas por ter aprendido é como comer apenas para ficar vivo.” (Joakim Antonio). Leiam, leiam, leiam! E, claro! Cuidem muito bem deste
espaço, pois é de vocês!
Aos professores, funcionários e pais, encorajo-os: parabéns por este excelente
trabalho. Parabéns por colocarem cada livro em seu devido lugar! Isto é, nas mãos
destes meninos e meninas - Futuros professores, doutores, engenheiros, artistas
plásticos, médicos, enfermeiros, nutricionistas, profissionais que no futuro
serão líderes desta comunidade, deste país ou, quem sabe, do mundo. Por isso,
parabéns por incentivarem a leitura, por libertarem as palavras aprisionadas em
livros esquecidos em estantes empoeiradas, democratizando-as em forma de
brincadeira, em forma de viagem, em forma de sonho. Parabéns por este estímulo à
pesquisa, à investigação e à inquietude de não se contentar com pouco. De
fomentar a curiosidade, de cutucar o menino sossegado e dizer-lhe: vai ler,
garoto, vai crescer!
Quero
concluir contando uma história, claro que de um livro: O menino que descobriu o
vento, William Kamkwamba. William vive no Malawi, tem apenas 13 anos de idade e sai da escola que ama porque sua família não pode mais pagar pelos custos. Vendo a fome se alastrar pelo país e a seca
destruir tudo que seu pai plantava, William decide fazer algo. Voltando em segredo para a biblioteca da
escola, ele encontra livros que lhe indicam o caminho. Usando partes da bicicleta pertencente ao
seu pai, constrói um moinho de vento para puxar água do poço e
irrigar a plantação. Com esta invenção, ele salva sua aldeia e várias outras aldeias da fome.
O
que faz do William um menino especial? Curiosidade, força de vontade e fome de leitura. Ingredientes que todos nós temos, por vezes
adormecidos, precisando apenas de um toque para despertar. Esta biblioteca é mais
que isso, é um portal, que se abre para outras dimensões, para outros tempos e
outros universos.
Entre e fique à vontade!

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